Dados de níveis de analfabetismo na fase ADULTA.
A origem de tudo (o problema, a partir da idéia da Meire)
O Brasil foi reprovado em ciências, matemática e leitura.
A pergunta que fica é: Qual será o futuro de um país onde a educação está relegada ao segundo, terceiro plano?
Recentemente o Brasil foi reprovado em matemática, leitura e ciências, ficando em 53º lugar, dentre os 55 países que foram submetidos à pesquisa, que foi feita pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE).
A pergunta que fica é: Qual será o futuro de um país onde a educação está relegada ao segundo, terceiro plano?
Tempos atrás o Brasil se vangloriava de ter diminuído o analfabetismo, porém o que estes dados vêm constatar é que, na verdade, mesmo tendo quase 100% de crianças nas escolas, o analfabetismo está em proporção alarmante, e pior; analfabetismo de alunos dentro das escolas. Enfim, o Brasil finge que dá educação, os professores fingem que ensinam e o aluno finge que aprende.
O resultado obtido pela OCDE, não é algo que surpreende aqueles que vêm acompanhando de perto a educação, pois há anos é observado que o ensino vai de mal a pior.
O professor, durante anos, vem reclamando quanto a seus salários, a falta de sérias políticas educacionais. Ganham mal, não são valorizados, não são respeitados pelos alunos e nem pelos pais dos mesmos, trabalham sobre intensa pressão e não podem reprovar. Perderam toda autoridade, que deveriam ter, para ensinar.
Foi criada uma política que, o importante é ter diploma, sem importar com o saber. O mais triste é que isto vem ocorrendo no ensino básico, fundamental, isto é, no inicio da aprendizagem, da formação educacional e intelectual da criança e do adolescente.
Um país, onde o ensino é tratado sem as mínimas responsabilidades, certamente está comprometendo todo seu futuro, pois o desenvolvimento, crescimento e mesmo a democracia, depende da boa educação. A construção de um país somente pode ser atingida através da educação.
Um país onde a leitura fica em terceiro plano, evidentemente está se comprometendo de forma nociva a cultura de seu povo, da mesma forma que compromete no caso da ciência e da matemática.
Sem duvida, é fundamental um investimento maciço na formação dos professores, dando a eles estimulo por meio de cursos de capacitação e valorização, autoridade para que possa exigir do aluno conhecimento e, sobretudo, através de um salário que faça jus a sua responsabilidade; a é de formar o homem do amanhã.
Evidentemente a pedagogia educacional mudou, novas diretrizes de ensino surgiram, mas é preciso ressaltar que a educação deve levar ao aluno o conhecimento e a formação intelectual, isto passa, principalmente, pela leitura, ciência e matemática.
O mais preocupante é que foram apenas estas três disciplinas que foram avaliadas, e o Brasil levou pau. Que este resultado possa ser um sinal positivo, que possa ser um alerta para que o país, tanto a nível federal, estadual e municipal, que todos dêem prioridade para a educação, reformulando conceitos e, principalmente, valorizando os professores para que, posteriormente, possa cobrá-los.
E que os pais também assumam a responsabilidade de ensinar seus filhos porque uma boa educação começa dentro de nossas casas e somente com união entre governo, escola e pais conseguiremos mudar esse quadro desastroso.
Ataíde Lemos
Email:: ataide.lemos@gmail.com
URL:: http://www.ataide.recantodasletras.com.br
http://brazil.indymedia.org/en/blue/2007/12/406066.shtml
Um artigo interessante sobre o assunto
Quinta-feira, 17 de janeiro de 2008
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Enquanto a discussão pública de nossa educação não envolver toda sociedade vai continuar falhando
No artigo da revista VEJA, abordo uma questão que me parece crucial para a falência do nosso sistema de ensino: o seu abandono pela sociedade e a cooptação pelas corporações (sindicatos, mormente) dos profissionais do ensino. Chegamos ao ponto em que, a se julgar pela discussão pública da educação, esta pertence aos professores, e não à sociedade, e deve satisfazer os anseios dos profissionais que nela trabalham, ao invés das vontades dos alunos e suas famílias. A idéia – errônea – de que aquilo que é bom para os professores é bom para os alunos foi incorporada de tal maneira que parece herético dizer o óbvio: por mais bem-intencionado que seja qualquer professor e funcionário, há coisas que são boas para eles e ruins (ou insignificantes) para os alunos, e vice-versa. Fazer dever de casa, por exemplo: a literatura empírica é praticamente unânime ao apontar o efeito benéfico de o aluno trabalhar em casa, mas prescrever e corrigir dever de casa é algo que sobrecarrega o professor, que já se sente acuado pela falta de tempo. Esse tipo de situação conflitiva é absolutamente normal. O anormal é a barreira que foi criada para escondê-la: há uma associação tão forte no imaginário popular entre as necessidades dos professores e aquelas do sistema de ensino que apontar os professores e alunos como entes separados, com interesses freqüentemente diversos e ocasionalmente antagônicos, virou ofensa contra professores e funcionários.
A corporação se encastelou de tal maneira como “dona” da educação que acabou se arvorando como árbitra das políticas do setor, ao invés de executora. Especialmente na educação pública – ainda que toda a educação brasileira seja no mínimo semipública, por conta dos descontos de imposto de renda, mas isso é tema para outro artigo – isso é preocupante. Se você dissesse que um fiscal da Anvisa pode decidir quais medicamentos podem ser aprovados para consumo e quais aqueles que ele acha que devem ser reprovados, soaria absurdo. Se você sugerisse que um diretor de Detran pode decidir com que idade uma pessoa pode começar a dirigir, ou que pudesse decidir quem deve receber a habilitação para dirigir baseado no que ele acha das habilidades da pessoa, soaria ridículo. Mas se você dissesse que, assim como estes profissionais, os professores de escolas públicos são funcionários públicos, empregados com dinheiro público para cumprir as funções prescritas por seus líderes democraticamente eleitos, também soaria absurdo. “Como pode comparar um professor a um funcionário da vigilância sanitária ou a um burocrata da área de trânsito?!”, já começo a ouvir o rufar da indignação. A comparação não diz respeito à importância social de cada um ou suas qualificações acadêmicas: falamos apenas acerca da necessária subordinação de um funcionário público aos desígnios dos poderes constituídos. Na área educacional, parece ser aceitável que um professor decida quem vai e quem não vai aprender e que devote esforços proporcionais a essa crença, que decida quem vai ou não repetir de ano usando critérios subjetivos como esforço etc., que falte ao serviço com freqüência enorme e se sinta eximido dessas ausências por conta do estresse da profissão.
Ano passado encontrei um exemplo bastante emblemático de toda essa confusão. Fui dar uma palestra em um congresso de professores em cidade da grande Porto Alegre, cujo nome mantenho em sigilo por motivos que serão óbvios. Ao chegar no local do evento, conversei com a responsável pela orientação pedagógica da secretaria municipal de Educação que, descrevendo a situação da cidade, estava furiosa. É que o governo estadual do Rio Grande do Sul havia “inventado” um programa para testar a eficácia de três métodos de alfabetização. Algumas cidades do estado foram escolhidas para participar do estudo, com a obrigação de adotar um dos três métodos, que lhe seria indicado de forma randômica, aleatória: algumas cidades implementariam um método de alfabetização de viés construtivista, coordenado pelo Geempa (Grupo de Estudos sobre Educação, Metodologia de Pesquisa e Ação) da Profª Esther Grossi; outras, pelo método fônico, do Instituo Alfa e Beto, capitaneado por João Batista Oliveira, e o terceiro grupo receberia a metodologia do Instituto Ayrton Senna, dirigido por Viviane Senna. No começo e no final do ano, os alunos seriam testados por provas desenhadas pela Fundação Cesgranrio, e saber-se-ia qual dos métodos era o mais eficaz e qual teria a melhor relação custo-benefício. É uma iniciativa que me parece absolutamente exemplar. Foca naquele que é a nossa carência mais grave, até por ser a mais basilar, que é a alfabetização. Tem a coragem de implementar um estudo randômico, como manda o figurino da pesquisa, algo que políticos têm natural resistência em implementar. Chamou para participar três instituições de renome e competência reconhecidos, comandadas por lideranças respeitadas e idôneas. Trouxe para fazer o monitoramento aquela que é provavelmente a melhor instituição da área de avaliação educacional. E, de quebra, além de auxiliar não só o estado do Rio Grande do Sul, tinha a chance de fornecer informações que devem servir de valia para todo o país, mergulhado no mesmo problema (com as tinturas regionais de sempre). Longe de estar orgulhosa de participar desse projeto pioneiro, porém, a responsável pedagógica do município estava extremamente descontente por estar recebendo “goela abaixo” um método de alfabetização “totalmente ultrapassado”: o fônico. Perguntei-a por que este método seria ultrapassado, e ela me disse que era coisa da década de 60, que o conhecimento sobre a área já havia avançado muito desde então. Perguntei então se o método também estava ultrapassado em termos de resultados; se havia teorias que comprovadamente apresentavam melhores resultados em sala de aula. A senhora me olhou como se eu falasse grego, não sei se apenas espantada ou talvez lamentando a total ignorância e ingenuidade de um economista. “Em termos teóricos, é claro!”. É claro. Pouco importa o que funciona ou não para o aluno: o importante é que aquilo que está sendo implementado em sala de aula esteja coerente com o que de mais avançado há no pensamento pedagógico. Ninguém faz isso por maldade ou desprezo com os alunos: a própria teoria pedagógica mais recente se encarregou de inculcar em seus leitores a idéia de que a medição de resultados é uma perversidade ideológica, um reducionismo, parte do programa daqueles que querem destruir a construção de uma educação crítica e cidadã etc. Nada mais natural do que a rejeição, por parte dos seus leitores, das ferramentas que poderiam invalidar (ou pelo menos questionar) o seu edifício teórico. Esse episódio seria apenas um “causo”, não fossem as suas implicações práticas. Perguntei à minha interlocutora o que os professores achavam daquele programa governamental em geral e do método de alfabetização que lhes havia tocado. Tinham a mesma percepção negativa. E esses professores conseguem implementar em sala de aula esse método, no qual não acreditam? Acho que a pedagoga respondeu algo como “fazem o melhor possível”, mas é certo que levavam para a sala de aula as mesmas restrições que expressavam abertamente fora dela.
Os testes de alfabetização foram aplicados no final de dezembro, e seus resultados só estarão disponíveis em fevereiro, de forma que os achados são incertos. O certo é que, naquela cidade, como em tantas outras, as preferências pessoais de professores e pedagogos empregados pelo sistema público faziam com que milhares de crianças não tivessem pleno acesso a um método de ensino que talvez fizesse uma diferença crucial em suas vidas. Tenho certeza de que se essas crianças e seus pais fossem ouvidos, gostariam que seus filhos tivessem acesso a todos os métodos possíveis, ministrado por professores comprometidos ou, no mínimo, neutros. Infelizmente, esses pais e professores não são ouvidos, e enquanto a nossa educação não for verdadeiramente democrática – do povo e para o povo – vai continuar falhando. A educação de um país é tarefa importante demais para ficar a cargo apenas de educadores. P.S.: A maioria da pesquisa internacional que eu conheço sobre a temática da alfabetização sugere que, levando-se em consideração as características do professor, a metodologia utilizada (se fônica ou construtivista) não tem impacto significativo sobre o aprendizado dos alunos. Imagino que o experimento gaúcho apresente os mesmos resultados. Vejamos o que dirão os dados. dubitandum
Discussão: Professores x Economista
http://veja.abril.com.br/gustavo_ioschpe/respostas_310108.shtml Quem é o Economista? Sexta-feira, 29 de agosto de 2007 Quem sou, de onde vim e por que estou aqui Começamos hoje esse diálogo que, espero, seja longo e frutífero. Nos encontraremos nesse espaço quinzenalmente. Talvez valha a pena uma breve apresentação. Meu assunto primordial aqui será educação. Abordo-o da perspectiva de um economista da educação. “Economista da educação?”, perguntarão alguns. Que é isso? O que economia tem a ver com educação?
Na primeira aula de economia que eu fiz na vida, um grande professor disse: “Vocês estão aqui para tirar uma nota boa, eu estou aqui para fazer vocês pensarem como economistas.” Não entendi direito o que ele tentou dizer com a segunda parte da frase. Imaginei, como certamente muitos de vocês imaginarão agora, que a economia é uma área do conhecimento humano que lida com dinheiro, taxas de juro, inflação, etc. Não é. Economia é uma forma de ler o mundo. Assim como a História interpreta o presente pelo que ocorreu no passado. Assim como a sociologia explica o mundo pelo comportamento de coletividades. Assim como a psicologia trata de desvendar o mundo analisando as motivações inconscientes que determinam o comportamento de indivíduos. A economia lê o mundo através de algumas ferramentas heurísticas, hipóteses sobre o comportamento humano baseado na defesa de seus interesses materiais. Algumas pessoas vêem economistas falando sobre o amor, a família, o aborto, a cultura e se ressentem da impertinência desse avanço sobre outras áreas do saber. Não entendem justamente que as hipóteses que norteiam a criação do homo economicus e a caixa de ferramentas estatísticas que são normalmente usadas para decifrar taxas de juro ou de retorno podem ser igualmente aplicadas a qualquer situação. Assim como se pode falar de uma história da educação, de uma sociologia da educação e de uma psicologia da educação, também se pode falar da economia da educação. Se as análises resultantes desse método estarão certas ou erradas são, obviamente, outros quinhentos.
Mas o que faz a economia da educação? Basicamente, duas coisas. Primeiro, analisa o impacto da educação sobre fatores econômicos (renda, crescimento econômico, desigualdade social etc.) e vice-versa. E, segundo, utiliza-se do ferramental do economista – as análises estatísticas – para avaliar a própria educação, tratando de determinar quais variáveis são, por exemplo, relevantes (ou “estatisticamente significativas”, no jargão) para determinado resultado. Um sociólogo pode descrever grandes teorias sobre, por exemplo, a relação entre educação e criminalidade. Um economista pegará uma variedade de dados – os mais óbvios sendo taxas de escolaridade e índices de homicídio, por exemplo – juntará a outras inúmeras variáveis que podem estar influenciando a relação das duas variáveis. Por exemplo, o nível de renda da região estudada, o índice de desemprego, o número de residências em que os pais são divorciados, a taxa de policiamento, a eficiência do judiciário – e jogará todas elas em programas que fazem análises estatísticas e dirá se há ou não uma relação entre educação e crime, quanto um explica o outro, quais são as outras variáveis relevantes, etc. É disso tudo que vamos tratar a partir de hoje nesta página em VEJA.com. http://veja.abril.com.br/gustavo_ioschpe/index_310807.shtml A seguir, cenas dos próximos capítulos… Amanhã:
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